Corrida de Montanha para iniciantes

Quero correr uma Corrida de Montanha, e agora?

Olá amigos corredores, quem aqui gosta de encarar desafios? Acredito que grande parcela dos ávidos por aventuras já enfrentaram obstáculos em algum momento da vida. Mas não estou aqui para falar apenas sobre aqueles que adoram corridas do tipo “quanto pior melhor”, quero conversar a respeito de um assunto que vem atraindo mais e mais pessoas de todas as idades nos últimos anos: o desafio de correr uma prova de montanha. Para se ter uma ideia a corrida de montanha é tão exclusiva que nem mesmo o “Google View” ainda foi capaz de catalogá-la em seus inesgotáveis arquivos digitais de pesquisa pública.

A minha primeira corrida de montanha aconteceu em 2008 em Atibaia, foi uma experiência incrível, correndo desde 2001, não fazia ideia de como era participar de um evento totalmente alheio ao asfalto, chamei aquilo de “lado B” da corrida. Depois daquele dia, passei a procurar no calendário opções que me fizesse sair do pragmatismo das corridas de rua. A grande pergunta das pessoas é “o que tem a corrida de montanha que a faz ser diferente das outras?”: TUDO! Isso mesmo, o processo de inscrição e retirada dos kits pode até ser semelhante, mas as similaridades acabam nesse ponto, a partir daí toda e qualquer conjectura é pura loteria.

Imagine um indivíduo caminhando tranquilamente pela rua (ou calçada) quando se depara com uma poça d’água, o que ele faz? Desvia para não molhar os sapatos e continua sua caminhada normalmente. Na corrida de montanha, o objetivo é justamente quebrar esse paradigma, ou seja, a poça d’água é um obstáculo a ser superado e nem sempre é possível desviar, fazendo com que o mesmo indivíduo tenha que literalmente pisá-lo para prosseguir seu caminho. Outro exemplo interessante: muitas pessoas não gostam de sujar as roupas, o que é perfeitamente compreensível, porém, na corrida de montanha, isso não é nada garantido, pois como o percurso é atípico e desafiador e, se contar com chuva no dia anterior, certamente as estradas de terra estarão escorregadias e todo o cuidado será pouco.

Não existe um modelo definido de critérios para correr uma prova de montanha, isso varia de corredor para corredor. Existem recomendações que talvez torne a estadia do atleta menos “sofrida” e mais apta a encarar os perrengues que surgirão pela frente. A começar pelo calçado, não sou especialista, porém, recomendo tênis que tenha boa aderência em solo irregular, indico aqueles que foram desenvolvidos para trekking, da marca Salomon. Em se tratando de vestimenta, recomendo os mais leves possíveis, pois independente se está frio em determinado lugar, poucos minutos depois de iniciar a prova, o corpo esquenta e muita roupa pode se tornar um verdadeiro incômodo. Se não quer passar frio, leve um agasalho e deixe no guarda-volumes, pois dependendo do local da chegada, será um item imprescindível.

Em provas que a altimetria “sugere” muitos aclives, costumo correr usando luvas, por uma questão de precaução, pois não sei se terei que fazer apoio com as mãos, sendo que, em alguns casos, temos que nos agarrar a raízes, troncos, pedras ou qualquer outro tipo de apoio que exija uma atenção redobrada. Para exemplificar, existem provas em que passamos por riachos em que a água atinge o nível da cintura, e as mãos, por ser uma região sensível do corpo, não pode permanecer exposta a algo que não enxergamos. Correr com roupas largas não é lá muito recomendável, pois existem trechos em que a vegetação está diretamente implicada no percurso ou na trilha, ou seja, o atleta corre o risco de ter a roupa rasgada ou mesmo levar um tombo caso passe correndo num rimo forte e enrosque em algum galho pelo caminho. Muita gente tem o hábito de correr usando óculos escuros, é praticamente unânime entre os atletas de montanha que é um objeto sem utilidade, uma vez que obstrui a claridade, pois o percurso exige o máximo de atenção, portanto, o uso de óculos (exceto os de correção) é descartado.

Uma das novidades que entrou em vigor em 2012 no calendário das corridas de montanha foi a extinção dos copinhos de plástico servidos durante o percurso. Os organizadores chegaram a um consenso de que instalar postos de hidratação com água ou isotônico com o suporte em copos descartáveis traria grandes prejuízos ao meio ambiente. Com essa medida, a responsabilidade pela hidratação passou a ser exclusivamente do atleta, portanto, utilize camelback (mochila de hidratação) ou cinto com garrafinhas acopladas, que é sem dúvidas o mais indicado. Quem aqui corre escutando suas músicas preferidas? Sim, é muito comum ver pessoas na rua correndo com fone de ouvido, isso no asfalto, onde se vê praticamente tudo o que está a frente, mesmo sabendo que a música tira boa parte da atenção e pode provocar acidentes (caso a pessoa treine em lugares com tráfego de veículos). Música e corrida de montanha não combinam, pois trata-se de uma distração que pode propiciar pequenos acidentes, como quedas, não perceber que tem outra pessoa querendo ultrapassar e causar “trombadas”, perder a “sintonia” com o que está acontecendo ao redor, enfim, várias situações negativas que pode ocorrer caso o indivíduo esteja escutando aquele rock “pauleira”.

Outra coisa muito legal que se encontra nas corridas de montanha é o espírito de companheirismo, é comum ver as pessoas incentivando as outras, pois em vários momentos, ocorre a dispersão e nos vemos praticamente isolados em determinadas trilhas, aí surge um atleta que nos motivam a continuar, a mandar para bem longe o desânimo e seguir até o final. São provas que exigem concentração, disposição, bom humor e muita garra, os trajetos são um verdadeiro sobe e desce, são poucos os momentos em que é possível imprimir um ritmo forte, os obstáculos variam entre barrancos, trilhas sinuosas, declives escorregadios e sem pontos de apoio, valas, buracos, riachos, mata alta e baixa, estradas rurais em terra, cascalho ou pedras, poças d’água e lama, em algumas etapas surgem inclusive escaladas em pequenas e médias cachoeiras. Enfim, são desafios e obstáculos fornecidos diretamente pela NATUREZA, em que os atletas são colocados a prova para encarar.

Como todo e qualquer esporte, existe premiação para os primeiros colocados, uma classificação geral onde são conferidos os tempos e até mesmo um ranking, onde os envolvidos poderão amistosamente competir ao longo da temporada. Isso tudo é muito saudável, pois estimula o indivíduo a querer melhorar cada vez mais, encoraja a pessoa a vencer suas fobias e a escrever mais um capítulo importante em suas vidas. São conquistas pessoais intransferíveis e que ficarão registradas para a posteridade. Costumo dizer que sou um eterno “iniciante” das Corridas de Montanha, pois nunca sei o que virá pela frente (mesmo em se tratando de provas que já fiz anteriormente). Nunca sabemos o que a natureza reservou para nós naquele dia, os fiscais de prova podem transmitir as informações mais precisas até a véspera, mas uma pequena mudança durante a noite provoca erupções em todos os prognósticos apresentados. Isso é o grande barato de uma corrida de aventura, as mudanças (climáticas principalmente) ocorrem num estalar de dedos.

Espero ter ajudado aqueles que querem conhecer esse universo infinito e que possam encorajar-se e enfrentar todos os desafios que essas corridas proporcionam. São momentos únicos em contato com a natureza, onde colocamos o nosso corpo à prova em quase todas as situações, um ambiente em que “ganhar ou perder” é o que menos importa, pois o que vale mesmo é a diversão!

Então, nos vemos nas Montanhas!!!

 

Fonte: http://corridasdemontanha.com.br/site/?p=5212

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